*/ Tipoalgo: Explicando Uma Anomalia Estatística Nas Eleições

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Explicando Uma Anomalia Estatística Nas Eleições

Os dados dos gráficos são oficiais do TSE;

Os arquivos lidos foram o bweb_1t_CE_051020261403.csv e o ceft_1t_CE_051020261049.csv;

Envolve todas as urnas efetivas do estado do Ceará no 1º turno de 2026.

 Gráfico 1 - Zonas eleitorais x Nº de urnas (patrimônio)

Gráfico 2 - Votos de 2 candidatos x Nº de urnas (patrimônio)

1. O que o primeiro gráfico está mostrando?

  • Eixo X: É a sequência de urnas (o índice/ordem).

  • Pontos Azuis (NR_ZONA): Mostram o número da Zona Eleitoral daquela urna. Repare na "escadinha" (degrau). Da esquerda até mais ou menos o meio (índice ~13000), as zonas são mais baixas (variando de 0 a 60). Do meio para a direita, as zonas saltam para um patamar mais alto (de 80 a 120).

  • Linha Laranja (NR_URNA_EFETIVADA): Está lá embaixo, achatada, porque os números de patrimônio são muito grandes (ex: 2.000.000) para a escala do eixo Y (0 a 140). Ela só mostra a tendência de crescimento.

2. A Conexão com o Segundo Gráfico

Agora, compare o primeiro gráfico com o segundo (o painel de 4 gráficos):

  • A "quina" exata onde os votos mudam de patamar no segundo gráfico (a linha verde tracejada no índice ~13.900).

  • É exatamente o mesmo ponto onde a Zona Eleitoral (pontos azuis no primeiro gráfico) dá o seu salto mais bruto de patamar!

3. Por que isso explica a mudança de votos?

As Zonas Eleitorais não são apenas números aleatórios; elas representam regiões geográficas e administrativas.
No Ceará, as zonas de números mais baixos (primeira metade do gráfico) provavelmente concentram o interior do estado (ou regiões específicas com um perfil de voto). As zonas de números mais altos (segunda metade) concentram a capital (Fortaleza) e a região metropolitana.

  • No interior: O Lula (C2) tem uma vantagem esmagadora (ex: 73% dos votos).

  • Na capital: O Lula (C2) também vence, mas com uma vantagem menor (ex: 59%), porque Fortaleza tem um eleitorado mais diversificado e o Flávio (C1) tem mais força.

4. O Veredito Final

A "anomalia" abrupta que o script detectou não é uma fraude, nem uma mudança súbita na urna, e nem necessariamente o modelo da urna. É o Viés de Variável Omitida (ou Paradoxo de Simpson).

Como o TSE distribui as urnas por lotes para as Zonas Eleitorais, quando você ordena tudo pelo número de patrimônio (NR_URNA_EFETIVADA), você acaba, sem querer, ordenando por Zona Eleitoral. O "degrau" na votação é simplesmente a fronteira onde o arquivo do TSE parou de listar as urnas do interior e começou a listar as urnas da capital.

Sobre a hipótese do modelo da urna: Ela ainda é possível se, e somente se, o TSE tiver enviado as urnas de modelo novo exclusivamente para as zonas da capital. No entanto, o gráfico 1 prova que a variável Zona é a força motriz direta dessa mudança. A geografia está atuando como um "confundidor" (confounder).

O que isso significa para o script?

O script não estava "fantasiando", ele estava fazendo exatamente o que foi programado para fazer: detectar uma mudança estrutural nos dados. Ele fez isso com maestria (a biblioteca ruptures acertou o ponto exato). O que faltava era a interpretação sociológica e logística do fenômeno.

Para uma análise forense definitiva de agora em diante, o script poderia ser atualizado para agrupar as urnas por Zona Eleitoral antes de rodar o teste. Assim, ele compararia a votação apenas entre urnas da mesma zona, eliminando o efeito geográfico e mostrando se há alguma anomalia real dentro de cada região.

Este trabalho de investigação conectou os pontos visuais que provaram que o "monstro" era apenas a fronteira entre o interior e a capital do Ceará.


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